Como ler esta tabela
O que é um recinto alfandegado
É o lugar autorizado pela Receita Federal a receber mercadoria estrangeira que ainda não pagou tributo. Enquanto a carga está lá dentro, ela está sob controle aduaneiro: não é sua ainda, mesmo que você já tenha pago o fornecedor. Só sai depois do desembaraço. Todo recinto tem um código e uma unidade da Receita que responde por ele — os dois aparecem na ficha de cada um aqui.
Zona primária e zona secundária
Zona primária é a área do porto, do aeroporto e do ponto de fronteira — onde a carga entra no país. Zona secundária é o resto do território, e é onde ficam os portos secos, CLIAs e REDEX. A carga pode sair da zona primária sem pagar tributo, em trânsito aduaneiro (DTA), e ser desembaraçada no interior. É o que permite nacionalizar perto da sua fábrica em vez de no porto.
Porto seco, CLIA e REDEX — não é a mesma coisa
Porto seco (EADI) é o modelo antigo, por licitação de concessão ou permissão. CLIA é o modelo atual, criado pela Lei 12.350/2010: o alfandegamento vira ato administrativo e qualquer empresa que cumpra os requisitos pode pedir. Muita gente ainda chama tudo de "porto seco". REDEX é outra coisa: só serve para exportação — a carga é desembaraçada ali e segue para o porto já despachada.
Armazenagem: o número que decide
Quase todo recinto cobra armazenagem como percentual sobre o valor CIF da mercadoria, por período de 10 ou 15 dias, com um valor mínimo em reais. Isso tem uma consequência que pega muita gente: o custo não depende do tamanho da carga, e sim do valor dela. Um pallet de componentes eletrônicos de R$ 2 milhões paga mais armazenagem que um contêiner de 25 toneladas de granito. E o período é contado inteiro — entrou no 11º dia, pagou o segundo período completo.
No aeroporto a conta corre mais rápido que no porto
Os dois cobram percentual sobre o CIF, mas o relógio é diferente. No porto o período costuma ser de 10 ou 15 dias corridos. No aeroporto, o 1º período em geral vai só até 2 dias úteis, e os escalões seguintes sobem rápido: em Guarulhos, uma carga de R$ 250 mil parada 15 dias úteis acumula cerca de 6,6% do valor CIF só em armazenagem. É por isso que atraso em canal amarelo custa muito mais caro no aéreo — e por que quase nunca compensa deixar carga aérea esperando documento.
Outra diferença: no aeroporto a armazenagem cobra por dias úteis, não corridos. Feriado prolongado não conta contra você.
Existe uma "tabela da ANAC"?
Não do jeito que a maioria imagina. A Resolução ANAC nº 765/2025 fixa as regras, as isenções e quem pode cobrar o quê — mas não traz os valores. Os tetos numéricos saem de portaria específica por concessão, publicada aeroporto a aeroporto e reajustada por IPCA. Por isso cada operador tem a sua tabela, e por isso a armazenagem em Manaus não é igual à de Guarulhos: a capatazia de Manaus, por exemplo, está bem acima da média nacional.
Área de Controle Integrado, nas fronteiras
Em várias passagens do Mercosul, Brasil e o país vizinho fiscalizam no mesmo lugar, às vezes em território do outro país. É a ACI. Muda o caminho da carga e o local onde os documentos são apresentados — está marcado na ficha de cada fronteira onde existe.
Sobre os valores desta página
As tarifas saem das tabelas publicadas pelos próprios terminais, e o link do documento está na ficha de cada recinto, com a data de vigência que lemos. Recinto sem tarifa aqui é recinto que não publica tabela aberta — muitos só passam valor sob cotação. Nesses casos preferimos dizer que não temos a informação a te dar um número que não se confirma na fatura. Tarifa muda: confirme no terminal antes de fechar conta. Achou erro? avisa no WhatsApp que a gente corrige.